Momento Larry David por Eduardo Pinheiro
O que faria Larry David?Na biblioteca. Peguei "O Conceito de Ironia Constantemente Referido a Sócrates", de Kierkegaard. Não tinha meu cartão em mãos. Para a bibliotecária:

— É possível retirar sem o cartão?

— Não.

Me dirigi de volta para a prateleira. Ela me parou.

— Deixe que nós recolocamos o livro.

Sim, é política da biblioteca, porém eu imaginava encontrar alguém com cartão que retirasse em seu nome, e para isso precisava do livro acessível imediatamente, e não em alguma espécie de limbo de balcão.

— Mas eu sei onde ele fica...

— É política da biblioteca.

— Quanto tempo leva para o livro retornar para a estante?

Fez uma cara bizarra. Nem deixei ela terminar, fui lá pôr o livro. Era o último da prateleira, mesmo que eu não fosse capaz de seguir a numeração... a não ser que eu quisesse indulgir em terrorismo poético ou estratégias de ocultação de livros perante competidores — não era o caso, mas dá para entender a política da biblioteca. Mas o que faria Larry David?




texto de autoria de Eduardo Pinheiro [Padma Dorje] edu@tzal.org
em http://www.tzal.org/dorje_post-Momento+Larry+David