"Conversas com Kafka" por Eduardo Pinheiro

Janouch foi um guri que, através de seu pai, fez amizade com Kafka. Ambos discutiam de tudo, e muito da personalidade de Kafka surge encantadora (ainda que por vezes demasiado afetada) através das descrições do rapazola.
“Da vida, pode-se tirar muito facilmente uma série de livros; mas dos livros tira-se pouca, bem pouca vida.
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Incômodo é um sinal certo de fraqueza, uma fuga diante do imprevisto. Instalamo-nos numa vida dita “particular”, por não termos as forças necessárias para enfrentar o mundo. Fugimos ao milagre e refugiamo-nos numa atitude de auto-limitação. É uma retirada. Pois enfim a existência é antes de tudo estar-com-as-coisas, é um diálogo. Não temos o direito de nos furtar a isso. Você pode vir me ver sempre que quiser.
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Você está certo. Só vivem as coisas que carregamos em nós. Todo o mais é vaidade, não passa de literatura, de que nada justifica a existência.”Kafka
Algumas de suas afirmações sobre vaidade e literatura, e o porque de escrever, mostram o quanto de traição e o quanto de fraqueza (de Kafka) respectivamente se passaram na publicação por Max Brod — e o fato desses livros chegarem a nós através de uma “manobra esquisita” é elemento característico e fundamental de parte dessa produção ainda tão contemporânea.
texto de autoria de Eduardo Pinheiro [Padma Dorje] edu@tzal.org
em http://www.tzal.org/dorje_post-Conversas+com+Kafka