
2008.07.08 • 02:05 • 0 com
O budadarma está flertando com a cultura ocidental há algum tempo. A cada uma das ocorrências de alguma mutualidade, certas distorções são formadas, e algum dos lados eventualmente se enriquece com algo. Primeiro foram os gregos a povoar a Báctria e Gandara e se converter ao budismo, o que inaugurou a arte budista com influências helenistas. Depois ficamos um longo período com o oriente misterioso das viagens de Marco Polo. Enfim o iluminismo leva à tradução dos primeiros textos budistas e às primeiras excursões com olhar mais erudito (e que fizeram com que vocábulos ocidentais tais como "iluminação" fossem incrustrados no budismo). Isso culmina com Schopenhauer diluindo e se apropriando de um dharma ainda extremamente estreito (certos textos apenas) e tendenciosamente traduzido, e eventualmente descamba para o nascimento das seitas nova era com a teosofia—que tentou misturar todas as tradições orientais e ocidentais numa doutrina que carregou palavras tais como "dharma" de sentidos completamente novos (e suspeitos) e hoje é a grande mãe do universalismo de uma "religiosidade sem religião" que empobrece profundamente o discurso espiritual por todos os lados.Do primeiro ocidental ordenado monge budista, no início do século, até os primeiros professores asiáticos aprenderem línguas ocidentais, na década de 30, e eventualmente virem viver por aqui deste lado, nos 60, até os 70, quando os primeiros textos clássicos finalmente ganham traduções razoáveis, e enfim os 90, quando começam a aparecer estudos acadêmicos mais equilibrados, sem tanto ranço seja de menosprezo, seja de fascínio afetado, temos como ponto chave da entrada do budismo no ocidente as primeiras pessoas que pensaram eventualmente em viver o dharma de uma forma original, e não meramente estudar ou incluí-lo em alguma filosofia: o movimento beat—por mais defeitos que esse "dharma" alucinado e marginal possa ter.
Entre os precursores diretos dos beats, nos 40 e 50, temos então Somerset Maugham e Hermann Hesse—o filme em questão é embasado em Maugham, mas altera o caminho do protagonista do hinduísmo para o budismo tibetano. De fato, não há também nada essencialmente budista nessa versão de 1984 do filme—senão os trajes tibetanos. O único ensinamento que vemos o lama dar é "o caminho é difícil e estreito, como caminhar sobre o fio de uma navalha", que é do original de Maugham, e, parece, vem dos Upanishads, e não de escritura budista. Mas o dharma, creio, não vê problema com essa caracterização, pelo menos certo dharma, e no contexto do filme, não é incorreto.
Bill Murray estrela nesse filme perdido dos oitenta, que ele conseguiu filmar em troca de protagonizar Os Caça-Fantasmas. A história de Maugham, e nisso o filme a segue de forma fiel, é essencialmente uma Bildugsroman—segue o ideal romântico a risca, com a idéia de crescimento interior através das experiências da vida.
Se, por um lado, o aspecto do vlae de lágrimas é bem colocado, com as diversas contingências sofridas pelos personagens, e assim nos engaja emocionalmente, por outro lado, parece surgir algo do fascínio afetado, como por exemplo quando ocorre o clichê do ocidental que aprende truques no oriente—no caso a hipnose. Porém isso é pouco enfatizado, e é até colocado de uma forma compassiva. O mais surpreendente é o ideal do bodisatva bem corporificado pelo personagem de Murray. Esse filme é a pedida para quem quer orientalismo romântico, sem espalhafato. Se por um lado não há nada incoerente com o dharma, e de fato, como artê romántico em geral, é um filme bastante positivo—se a pessoa tem tolerância quanto ao romantismo (ele beira o melodramático, mas não chega ao sentimentalismo)—, por outro lado ele não tem muito dharma (ou mesmo outro "orientalismo") senão o fato de que o sujeito vai para a Ásia em busca do sentido da vida e retorna, de fato, transformado. Porém, com o passar dos anos minha admiração por Murray como ator tem crescido, e esse filme, que foi difícil de encontrar para baixar, foi uma boa surpresa nesse sentido.
Also in dharma movies: Goh-hime • Ikiru • Rikyu • Tibet: Cry of the Snow Lion • Travellers and Magicians • Hwal • Message of the Tibetans • Windhorse • Words of my Perfect Teacher
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Funniest mindless movie of the last few years. McLovin is the best, and the other guys grew on me.
In his job he needs to undervalue the suffering of others in order to make more money. Then there’s the smell, the ass and the eye. The degree of objectification of desire is in direct proportion to the self-debasement of the indulger. By degrading the other, he nullifies himself. The very indifference to the overjealous ones, the suppressed recalcitrant losers of the world, is what causes their victims to exist. Great disturbing movie.
A lost science fiction PBS movie with Taoist undertones is a real find, right? A guy discovers his dreams change reality—when he wakes up he finds himself in a world where the content of his dreams have actually happened. He of course gets scared after a couple of nightmares, seeks relief in drugs, and then, because of them, is lead to a psychiatrist. 
Here's for all the sissy Apple lovers out there... This is the ultimate design for my old Duron, which faithfully downloaded well over one terabyte (mostly movies, 1300+) always on 24/7/365 over the last four years. It also runs Apache and is a file and printer server, as well as a router for my home network (with four, also damn old and beautiful computers). Sometimes I dust it off with a vacuum cleaner.
I really enjoyed 
I have read the article on
In imdb a user commented: "Annoying little transition into some sort of regurgitated independent film values finds this shallow project from Brad Silberling offering little and providing less in this embarrassingly exploitive work." I agree, yet it is still watchable — even more so if you understand how clichê is the fabricated spontaneity in it. It is as if independent movie has aquired its own hollywood-like formulaicism. So it kind of becomes an interestingly consumated aesthetic portrail of so many cult-status fabricated stylishness examples we see around. Many people liked 





