
2006.04.10 • 00:25 • 0 com
No budismo a propriedade do outro é respeitada pela sila (ética, em geral no âmbito prescritivo) do não-roubar. Porém, a noção de propriedade é uma extensão do eu, e quando se trata das posses do próprio praticante, ele deve desenvolver desapego, e perder a noção de "meu" (inclusive "meu corpo").
Também a sila é clara no que diz respeito a "tomar o que é do outro", isso implica que ele fique privado daquele objeto, ainda que nem tome consciência dessa privação, e mesmo que ela não lhe faça diferença. No caso de uma música, ou um segredo industrial, de um programa genético, ou da fórmula de um medicamento, o que se "rouba" com a violação do direito autoral não é um objeto, mas uma abstração — e a pessoa não fica privada dessa abstração — ela fica privada apenas dos lucros que iria obter a partir do trabalho que empenhou. Porém, estes lucros só existem porque a entidade abstrata da criação é reificada como uma comodidade. É evidente que isso impulsiona o trabalho intelectual, o que traz tremendos resultados benéficos. Porém, até que ponto a violação de copyright seria de fato uma violação da sila do não-roubar?
O argumento mais forte seria o de que a privação dos lucros traz sofrimento. Porém, em muitos casos e mídias, a pirataria funciona como publicidade para o produto (e algumas vezes o próprio produto a
carrega). Em outros casos, a elitização e monopolização de uma determinada tecnologia cria perturbações sociais e mesmo ambientais. Ainda, os lucros hiperinflados obtidos por indivíduos ou corporações com base em algumas idéias, sejam meramente de agrado popular ou mesmo onipresentes pela utilidade, representam corretamente o benefício efetuado ou são distorções causadas por um esquema de coisas que impõe valores de acordo com um mercado também já completamente regido
por abstrações caóticas?
O darma não tem uma ciência política, nem uma economia, porque o objetivo do darma não é harmonizar o samsara — o samsara não pode ser harmonizado. Porém, enquanto praticantes, os desafios dessa modernidade cada vez mais abstrata se apresentam claramente. Seja no praticante que usa um programa cliente de email craqueado, seja naquele que tira xerox do livro do darma, seja naquele que é o produtor intelectual.
Assim, ficam as questões:
No nível do usuário:
1) Até onde é quebra de sila copiar informações? Refletir sobre isso em três âmbitos a) no caso de mero entretenimento, conforto ou qualidade de vida; b) no caso de educação, saúde e genética; c) no caso do próprio darma;
No nível do engajamento:
2) Até que ponto deve-se obedecer o modo estabelecido no mundo? a) se uma lei antiética passar na região onde o praticante vive, ele deve obedecê-la? Para obedecer a sila, ele deve quebrar a lei? (desobediência civil) Deve cooperar com um sistema econômico de que discorda ou mesmo boicotar uma determinada corporação que considere maligna? Deve engajar-se na abstração contra a abstração? Ou isso apenas proliferaria opiniões e traria perda de tempo?
No nível da ação individual: 3) Até que ponto um budista pode considerar-se dono de um produto intelectual? a) Se ele for leigo e resolver obter lucro, que critério utilizaria para dar o preço? Já que o mercado é um critério aleatório a que ele não pode se submeter, poderia cobrar de acordo com o benefício trazido? Ou de acordo com o necessário para sustentá-lo humildemente durante o período de trabalho e possiblitar a pesquisa? b) Se ele for monge e não puder obter lucro, como ele pode impedir que o que ele produziu seja vendido? Como ele pode lidar com uma sanga moderna que só sabe comprar, e não oferecer? O darma acaba sendo vendido, mesmo que em nome de uma instituição impessoal. Como evitar que o darma vire um negócio, mesmo que em nome do darma? Ademais, se o darma é bom, ele vem do Buda, e o mestre contemporâneo nada acrescentou. Se acrescentou, então não é bom darma. Não deveríamos desconfiar do darma vendido? c) Em termos do sentido mesmo de desapego e da ausência de existência inerente, e posse, dos objetos (físicos ou abstratos), como ele deve se portar diante de sua produção? Embora ele não a deva tratar como um negócio, tampouco ele pode libera-la indiscriminadamente, sob pena de ser mal-utilizada. Seria este o sentido de "ensinamento esotérico" ou "secreto"?
Também a sila é clara no que diz respeito a "tomar o que é do outro", isso implica que ele fique privado daquele objeto, ainda que nem tome consciência dessa privação, e mesmo que ela não lhe faça diferença. No caso de uma música, ou um segredo industrial, de um programa genético, ou da fórmula de um medicamento, o que se "rouba" com a violação do direito autoral não é um objeto, mas uma abstração — e a pessoa não fica privada dessa abstração — ela fica privada apenas dos lucros que iria obter a partir do trabalho que empenhou. Porém, estes lucros só existem porque a entidade abstrata da criação é reificada como uma comodidade. É evidente que isso impulsiona o trabalho intelectual, o que traz tremendos resultados benéficos. Porém, até que ponto a violação de copyright seria de fato uma violação da sila do não-roubar?
O argumento mais forte seria o de que a privação dos lucros traz sofrimento. Porém, em muitos casos e mídias, a pirataria funciona como publicidade para o produto (e algumas vezes o próprio produto a
carrega). Em outros casos, a elitização e monopolização de uma determinada tecnologia cria perturbações sociais e mesmo ambientais. Ainda, os lucros hiperinflados obtidos por indivíduos ou corporações com base em algumas idéias, sejam meramente de agrado popular ou mesmo onipresentes pela utilidade, representam corretamente o benefício efetuado ou são distorções causadas por um esquema de coisas que impõe valores de acordo com um mercado também já completamente regido
por abstrações caóticas?
O darma não tem uma ciência política, nem uma economia, porque o objetivo do darma não é harmonizar o samsara — o samsara não pode ser harmonizado. Porém, enquanto praticantes, os desafios dessa modernidade cada vez mais abstrata se apresentam claramente. Seja no praticante que usa um programa cliente de email craqueado, seja naquele que tira xerox do livro do darma, seja naquele que é o produtor intelectual.
Assim, ficam as questões:
No nível do usuário:
1) Até onde é quebra de sila copiar informações? Refletir sobre isso em três âmbitos a) no caso de mero entretenimento, conforto ou qualidade de vida; b) no caso de educação, saúde e genética; c) no caso do próprio darma;
No nível do engajamento:
2) Até que ponto deve-se obedecer o modo estabelecido no mundo? a) se uma lei antiética passar na região onde o praticante vive, ele deve obedecê-la? Para obedecer a sila, ele deve quebrar a lei? (desobediência civil) Deve cooperar com um sistema econômico de que discorda ou mesmo boicotar uma determinada corporação que considere maligna? Deve engajar-se na abstração contra a abstração? Ou isso apenas proliferaria opiniões e traria perda de tempo?
No nível da ação individual: 3) Até que ponto um budista pode considerar-se dono de um produto intelectual? a) Se ele for leigo e resolver obter lucro, que critério utilizaria para dar o preço? Já que o mercado é um critério aleatório a que ele não pode se submeter, poderia cobrar de acordo com o benefício trazido? Ou de acordo com o necessário para sustentá-lo humildemente durante o período de trabalho e possiblitar a pesquisa? b) Se ele for monge e não puder obter lucro, como ele pode impedir que o que ele produziu seja vendido? Como ele pode lidar com uma sanga moderna que só sabe comprar, e não oferecer? O darma acaba sendo vendido, mesmo que em nome de uma instituição impessoal. Como evitar que o darma vire um negócio, mesmo que em nome do darma? Ademais, se o darma é bom, ele vem do Buda, e o mestre contemporâneo nada acrescentou. Se acrescentou, então não é bom darma. Não deveríamos desconfiar do darma vendido? c) Em termos do sentido mesmo de desapego e da ausência de existência inerente, e posse, dos objetos (físicos ou abstratos), como ele deve se portar diante de sua produção? Embora ele não a deva tratar como um negócio, tampouco ele pode libera-la indiscriminadamente, sob pena de ser mal-utilizada. Seria este o sentido de "ensinamento esotérico" ou "secreto"?
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Funniest mindless movie of the last few years. McLovin is the best, and the other guys grew on me.
In his job he needs to undervalue the suffering of others in order to make more money. Then there’s the smell, the ass and the eye. The degree of objectification of desire is in direct proportion to the self-debasement of the indulger. By degrading the other, he nullifies himself. The very indifference to the overjealous ones, the suppressed recalcitrant losers of the world, is what causes their victims to exist. Great disturbing movie.
A lost science fiction PBS movie with Taoist undertones is a real find, right? A guy discovers his dreams change reality—when he wakes up he finds himself in a world where the content of his dreams have actually happened. He of course gets scared after a couple of nightmares, seeks relief in drugs, and then, because of them, is lead to a psychiatrist. 
Here's for all the sissy Apple lovers out there... This is the ultimate design for my old Duron, which faithfully downloaded well over one terabyte (mostly movies, 1300+) always on 24/7/365 over the last four years. It also runs Apache and is a file and printer server, as well as a router for my home network (with four, also damn old and beautiful computers). Sometimes I dust it off with a vacuum cleaner.
I really enjoyed 
I have read the article on
In imdb a user commented: "Annoying little transition into some sort of regurgitated independent film values finds this shallow project from Brad Silberling offering little and providing less in this embarrassingly exploitive work." I agree, yet it is still watchable — even more so if you understand how clichê is the fabricated spontaneity in it. It is as if independent movie has aquired its own hollywood-like formulaicism. So it kind of becomes an interestingly consumated aesthetic portrail of so many cult-status fabricated stylishness examples we see around. Many people liked 





