
2004.03.21 • 10:22 • 0 com
Duas palavras que renderiam (e de fato renderam) centenas de milhares de explicações bem ou mal concatenadas - e o mais curioso é que estas próprias explicações podem ser apontadas como darma ou logos. Porém, qual seria a diferença?
O "Dicionário Oxford de Filosofia" de Simon Blackburn, que a seguir louvarei não só pelo bom humor deslavado e bonachão, como pelo rigor (até onde um dicionário pode ser rigoroso, é claro — e a introdução é um primor já em termos de pedido de desculpas), aponta o entendimento de logos como uma das formas de talvez entender-se darma. É claro, supondo-se que a pessoa venha de um background ocidental e queira saber o que é darma. Eu, por outro lado, embora ocidental, suspeito o que é logos, e tenho a pretenção de ter um entendimento razoavelmente claro do que seria darma. Portanto meu caminho é inverso.
Creio que as palavras são realmente semelhantes, num certo sentido. Sua diferença essencial é a base metafísica de cada uma. Em ambos os casos, esta metafísica é variável de acordo com o contexto ou pessoa em (por) que(m) a palavra é utilizada, e, dependendo do sentido que damos a "metafísica" — de fato, quiçá preferivelmente em qualquer caso — talvez a palavra nem se aplique a "darma" em particular.
Este estudo é interessante, até porque, por exemplo, quando pretendo explicar o que é darma (aconteceu hoje pela manhã durante os ensinamentos), muitas vezes o máximo com que me deparo de possibilidade explicativa (que a pessoa seja capaz de entender) é, creio eu, similar a logos. Creio que seja interessante avaliar esta talvez diferença.
Darma, no contexto madhyamika (Nagarjuna, Aryadeva, Shantideva, etc.), que é o que pretendo seja o mais sofisticado, significa, além de "fenômeno" e "método" (de atingir liberação do sofrimento), basicamente "aquilo que está além dos extremos". Poderia-se dizer que o significado externo é "fenômeno" — qualquer objeto separado, qualquer coisa de que se possa mencionar, falar, apontar; o significado interno é "método" — a rotina ou fluxo de processos com que o objeto se relaciona com o sujeito (e desta forma, isto também inclui a primeira definição, mas a aprimora); o significado, diz-se, "secreto" (ou "auto-secreto", isto é, não no sentido de esconder algo de alguém), mas talvez se pudesse usar a palavra "mistério" como no cristianismo, ou "metafísico" em alguns sentidos onde "insight" surge com um sentido semelhante ao de "realização" ou talvez "gnose", isto é, o sentido da experiência direta, intransferível, qualia — o gosto doce que não é possível explicar para alguém que não o tenha provado, e que podemos apenas indicar por metáforas ou argumentações, que nunca vão revelar o elefante inteiro — é a realização, que não é um objeto, e portanto que, quando nomeada, ou indicada de qualquer forma, deixa de ser o que é.
Portanto, darma inclui toda a filosofia, da metafísica a ética, e vai até ao reino da experiência mística. Talvez logos seja assim, porém, muitas vezes ele vem, ou ao menos é explicado, num enfoque realista (que é um dos extremos que o darma rejeita — o outro sendo o idealismo).
Isto é, logos é a inteligência por trás da realidade. Algumas vezes surge a idéia de que é possível expressar o logos simbolicamente, e este é o objetivo de muitas filosofias — senão de todas, mas particularmente daquelas que tratam o próprio logos como outro objeto. Se esta realidade for algo externo que uma consciência examina, o logos não pode sequer ser reconhecido verdadeiramente sem algum subterfúgio metafísico adicional. Como todas as formas duais de filosofia eventualmente acabam por encontrar um "espelho" (não é possível "olhar para fora" sem "olhar para dentro", porque sempre surge a noção de uma perspectiva com relação a algo), a consciência passa a ter também o seu "logos", que chamamos de "razão". A partir disso, dependendo da nossa metafísica, dos vários tipos de realismo aos vários tipos de idealismo, vamos estudar ou as "leis da natureza" ou "as leis da mente". Quando surge a idéia de "lei", que não é nada mais do que um processo reificado de forma discreta ou contínua, estamos totalmente aprisionados no âmbito das idéias. Isso causa todos os paradoxos do determinismo e do livre-arbítrio (outros dois extremos que já o taoísmo repudiava), e todos os paradoxos que levam a problemas éticos como se um feto tem direitos ou se uma pessoa tem direito de tirar a própria vida, bem como as próprias definições de propriedade, enfim, direitos e deveres.
Creio que a culpa destas dificuldades não esteja na palavra "logos", e sim nos diversos sistemas metafísicos que se apropriam dela. A palavra darma não está livre desta sucessiva apropriação, mas na definição "além dos extremos", talvez até mesmo utilizando um sentido prévio taoísta, apropriado e depurado pelo budismo, certas questões difíceis ficam extremamente simples.
O fato é que, em termos do darma, a "filosofia primeira", a metafísica, estaria além da lógica. A verdade enquanto darma (outro de seus sentidos atribuídos) é, antes de tudo, um repouso naquilo que é. Não requer esforço — e o ato de pensar parece requerer esforço. Não só não requer como não talvez não seja "obtida" através do esforço. Do de yong su kod pa diz:
"Sem [alguém] ensinar algo
os ensinamentos surgem para os seres.
Quando precisam de métodos graduais
os recebem de acordo com suas necessidades.
Para aqueles que se beneficiam do treinamento direto,
O ensinamento completo aparece instantaneamente.
Assim é a grandeza da fala dos Budas
que preenche as necessidades dos seres."
Dessa forma, a autoridade é de um tipo completamente diferente. A autoridade do darma vem do que se chama "transmissão", isto é, do que se chama "linhagem". Diz-se haver três linhagens, uma ligada a cada tipo de darma (externo, interno e secreto). As linhagens são "mente-a-mente", "simbólica" e "oral". A linhagem oral curiosamente inclui os textos escritos, dos quais em geral se recebe uma "transmissão oral" antes de estudar, ou seja, você ouve uma pessoa que entenda o texto lê-lo em voz alta. O fato de não haver hesitações pode indicar, por exemplo, no caso de um professor genuíno, um dos aspectos da transmissão. Após receber esta transmissão, você estuda os textos e comentários, assim por diante. Mas pode ser que a compreensão daquele texto já lhe seja natural – e isto ocorre muito mais facilmente depois que o primeiro texto é realizado – e então você talvez seja capaz de transmiti-lo a alguém que dele se beneficie. Se você fizer isto de uma forma precipitada, com certeza surgirão problemas de todo tipo, já que você está basicamente iludindo a si mesmo e aos outros.
A linhagem simbólica opera de uma forma mais sutil. As circunstâncias começam a apresentar ensinamentos, seja porque o seu professor as causou, deliberada ou indiretamente, seja porque você as percebe como parte do seu treinamento. Este é um processo muito mais rápido e poderoso do que o anterior.
Enfim, o repouso naquilo que é, além dos extremos, é o que se quer dizer por "transmissão mente-a-mente", embora a palavra algumas vezes pareça querer dizer alguma forma de telepatia, não é nada disto.
Se despirmos "logos" de qualquer conotação realista ou idealista, creio que ele é uma melhor tradução para "transmissão" do que para darma. Algumas vezes há a palavra em tibetano "kha", que traduzem como "comando". Isto é, quando alguém, por exemplo, encomenda um sapato – você paga o sapateiro e ele executa o serviço. Esta ordem, creio eu, é mais ligada ao logos. Quando há um reconhecimento daquilo que é, além de um objeto (o que é uma sentença inconsistente, mas que não pretende estar dentro dos limites da lógica), além dos extremos, o que surge é o logos. No caso de um aluno e um professor, por exemplo, se o aluno necessita uma avaliação, o professor faz uma avaliação. Surge "por encomenda", e o mais curioso é que ao mesmo tempo que o aluno parece "comandar", o que ele pede, invariavelmente, vai refletir como exigência para ele mesmo.
Por isso há darma com esforço e há darma sem esforço, e em termos de prática, o darma com esforço sempre converge ao darma sem esforço. Se não for assim, o darma deixa de ser darma.
Para entender isto, precisamos avaliar "necessidade" no caso acima. A necessidade vem do desvio com relação ao darma. Quanto mais desviado do darma, mais necessidades surgem. O darma é a única coisa, se é que ele é o que deve ser, que satisfaz plenamente. Por isto o darma tem um sentido para quem o busca, um sentido para quem o encontrou e outro sentido para quem o realizou.
Darma só diz respeito ao que existe se alguém o aceita. Isto é muito importante, porque toda a linguagem e objeto fenomênico passam a ser um remédio, ou néctar, estando neste escopo – e mesmo a discriminação objetiva é abraçada sem reservas, como mais um dos adornos ou aspectos disto.
O que quer que surja, seja uma idéia ou fenômeno qualquer (sensorial, emocional), de qualquer tipo, deve ser tratado como é, nem mais nem menos. Buda disse no Lankavatara, "As coisas não são o que parecem, e também não são nada mais do que isto". Portanto a causalidade – evitaria dizer "estrutura lógica" – deve ser reconhecida, ainda que a realidade abranja também o não-causal como um não-objeto, o que nos impede de chamar a realidade de real e a linguagem de dizer qualquer coisa, mas que ainda assim – ou por isto mesmo – nos confunde.
Assim, como um elogio a clareza, se há algo que pode nos guiar à verdade, isto é o darma. E este não é um argumento circular, porque também é uma das definições básicas da palavra. Descobrir o que é darma é tão darma quanto saber o que é darma, e pior, não saber o que é darma!
Esta verdade tem conotações éticas, como toda a verdade, e como sua base metafísica está além do realismo e do idealismo, as idéias de eu e outro, multiplicidade ou ausência são todas consideradas limitadas a apenas aspectos particulares daquilo que "são". Portanto, nenhuma delas é abandonada ou aceita, e da mesma forma, responsabilidade pessoal, institucional, humana, ecológica e transcendente, não são consideradas como separadas umas das outras.
Portanto, para os seres que se sintam inclinados a considerar estas coisas, isto é tão benéfico quanto para aqueles que não se sintam. E assim, ao chegar na outra margem, não faz sentido ficar no barco. O darma é, de certa forma, uma profecia auto-realizada.
O verbete sobre "profecia auto-realizada" no Dicionário de Filosofia nos remete ao verbete "Sexo". Puxa, só por colocar um verbete "Sexo" no dicionário de filosofia, Blackburn merece ser louvado. E o verbete é pura sabedoria bem humorada, comparando dois pensadores. Para Kant, sexo sempre rebaixa as pessoas porque usar um outro para obter prazer o "coisifica". Para Hobbes, porém, o prazer vem não só de "usar", mas, essencialmente, de dar prazer! Blackburn termina com a nota de que isto é uma "profecia auto-realizada", isto é, se você pensar como Kant, você vai se rebaixar através do sexo. Se você pensar como Hobbes, você vai ter uma vida sexual feliz.
O darma é exatamente assim. Se você tem um bom coração, você encontra o darma, seja você capaz de pensar tudo isto (e tudo mais) até o fim, ou não.
O "Dicionário Oxford de Filosofia" de Simon Blackburn, que a seguir louvarei não só pelo bom humor deslavado e bonachão, como pelo rigor (até onde um dicionário pode ser rigoroso, é claro — e a introdução é um primor já em termos de pedido de desculpas), aponta o entendimento de logos como uma das formas de talvez entender-se darma. É claro, supondo-se que a pessoa venha de um background ocidental e queira saber o que é darma. Eu, por outro lado, embora ocidental, suspeito o que é logos, e tenho a pretenção de ter um entendimento razoavelmente claro do que seria darma. Portanto meu caminho é inverso.
Creio que as palavras são realmente semelhantes, num certo sentido. Sua diferença essencial é a base metafísica de cada uma. Em ambos os casos, esta metafísica é variável de acordo com o contexto ou pessoa em (por) que(m) a palavra é utilizada, e, dependendo do sentido que damos a "metafísica" — de fato, quiçá preferivelmente em qualquer caso — talvez a palavra nem se aplique a "darma" em particular.
Este estudo é interessante, até porque, por exemplo, quando pretendo explicar o que é darma (aconteceu hoje pela manhã durante os ensinamentos), muitas vezes o máximo com que me deparo de possibilidade explicativa (que a pessoa seja capaz de entender) é, creio eu, similar a logos. Creio que seja interessante avaliar esta talvez diferença.
Darma, no contexto madhyamika (Nagarjuna, Aryadeva, Shantideva, etc.), que é o que pretendo seja o mais sofisticado, significa, além de "fenômeno" e "método" (de atingir liberação do sofrimento), basicamente "aquilo que está além dos extremos". Poderia-se dizer que o significado externo é "fenômeno" — qualquer objeto separado, qualquer coisa de que se possa mencionar, falar, apontar; o significado interno é "método" — a rotina ou fluxo de processos com que o objeto se relaciona com o sujeito (e desta forma, isto também inclui a primeira definição, mas a aprimora); o significado, diz-se, "secreto" (ou "auto-secreto", isto é, não no sentido de esconder algo de alguém), mas talvez se pudesse usar a palavra "mistério" como no cristianismo, ou "metafísico" em alguns sentidos onde "insight" surge com um sentido semelhante ao de "realização" ou talvez "gnose", isto é, o sentido da experiência direta, intransferível, qualia — o gosto doce que não é possível explicar para alguém que não o tenha provado, e que podemos apenas indicar por metáforas ou argumentações, que nunca vão revelar o elefante inteiro — é a realização, que não é um objeto, e portanto que, quando nomeada, ou indicada de qualquer forma, deixa de ser o que é.
Portanto, darma inclui toda a filosofia, da metafísica a ética, e vai até ao reino da experiência mística. Talvez logos seja assim, porém, muitas vezes ele vem, ou ao menos é explicado, num enfoque realista (que é um dos extremos que o darma rejeita — o outro sendo o idealismo).
Isto é, logos é a inteligência por trás da realidade. Algumas vezes surge a idéia de que é possível expressar o logos simbolicamente, e este é o objetivo de muitas filosofias — senão de todas, mas particularmente daquelas que tratam o próprio logos como outro objeto. Se esta realidade for algo externo que uma consciência examina, o logos não pode sequer ser reconhecido verdadeiramente sem algum subterfúgio metafísico adicional. Como todas as formas duais de filosofia eventualmente acabam por encontrar um "espelho" (não é possível "olhar para fora" sem "olhar para dentro", porque sempre surge a noção de uma perspectiva com relação a algo), a consciência passa a ter também o seu "logos", que chamamos de "razão". A partir disso, dependendo da nossa metafísica, dos vários tipos de realismo aos vários tipos de idealismo, vamos estudar ou as "leis da natureza" ou "as leis da mente". Quando surge a idéia de "lei", que não é nada mais do que um processo reificado de forma discreta ou contínua, estamos totalmente aprisionados no âmbito das idéias. Isso causa todos os paradoxos do determinismo e do livre-arbítrio (outros dois extremos que já o taoísmo repudiava), e todos os paradoxos que levam a problemas éticos como se um feto tem direitos ou se uma pessoa tem direito de tirar a própria vida, bem como as próprias definições de propriedade, enfim, direitos e deveres.
Creio que a culpa destas dificuldades não esteja na palavra "logos", e sim nos diversos sistemas metafísicos que se apropriam dela. A palavra darma não está livre desta sucessiva apropriação, mas na definição "além dos extremos", talvez até mesmo utilizando um sentido prévio taoísta, apropriado e depurado pelo budismo, certas questões difíceis ficam extremamente simples.
O fato é que, em termos do darma, a "filosofia primeira", a metafísica, estaria além da lógica. A verdade enquanto darma (outro de seus sentidos atribuídos) é, antes de tudo, um repouso naquilo que é. Não requer esforço — e o ato de pensar parece requerer esforço. Não só não requer como não talvez não seja "obtida" através do esforço. Do de yong su kod pa diz:
"Sem [alguém] ensinar algo
os ensinamentos surgem para os seres.
Quando precisam de métodos graduais
os recebem de acordo com suas necessidades.
Para aqueles que se beneficiam do treinamento direto,
O ensinamento completo aparece instantaneamente.
Assim é a grandeza da fala dos Budas
que preenche as necessidades dos seres."
Dessa forma, a autoridade é de um tipo completamente diferente. A autoridade do darma vem do que se chama "transmissão", isto é, do que se chama "linhagem". Diz-se haver três linhagens, uma ligada a cada tipo de darma (externo, interno e secreto). As linhagens são "mente-a-mente", "simbólica" e "oral". A linhagem oral curiosamente inclui os textos escritos, dos quais em geral se recebe uma "transmissão oral" antes de estudar, ou seja, você ouve uma pessoa que entenda o texto lê-lo em voz alta. O fato de não haver hesitações pode indicar, por exemplo, no caso de um professor genuíno, um dos aspectos da transmissão. Após receber esta transmissão, você estuda os textos e comentários, assim por diante. Mas pode ser que a compreensão daquele texto já lhe seja natural – e isto ocorre muito mais facilmente depois que o primeiro texto é realizado – e então você talvez seja capaz de transmiti-lo a alguém que dele se beneficie. Se você fizer isto de uma forma precipitada, com certeza surgirão problemas de todo tipo, já que você está basicamente iludindo a si mesmo e aos outros.
A linhagem simbólica opera de uma forma mais sutil. As circunstâncias começam a apresentar ensinamentos, seja porque o seu professor as causou, deliberada ou indiretamente, seja porque você as percebe como parte do seu treinamento. Este é um processo muito mais rápido e poderoso do que o anterior.
Enfim, o repouso naquilo que é, além dos extremos, é o que se quer dizer por "transmissão mente-a-mente", embora a palavra algumas vezes pareça querer dizer alguma forma de telepatia, não é nada disto.
Se despirmos "logos" de qualquer conotação realista ou idealista, creio que ele é uma melhor tradução para "transmissão" do que para darma. Algumas vezes há a palavra em tibetano "kha", que traduzem como "comando". Isto é, quando alguém, por exemplo, encomenda um sapato – você paga o sapateiro e ele executa o serviço. Esta ordem, creio eu, é mais ligada ao logos. Quando há um reconhecimento daquilo que é, além de um objeto (o que é uma sentença inconsistente, mas que não pretende estar dentro dos limites da lógica), além dos extremos, o que surge é o logos. No caso de um aluno e um professor, por exemplo, se o aluno necessita uma avaliação, o professor faz uma avaliação. Surge "por encomenda", e o mais curioso é que ao mesmo tempo que o aluno parece "comandar", o que ele pede, invariavelmente, vai refletir como exigência para ele mesmo.
Por isso há darma com esforço e há darma sem esforço, e em termos de prática, o darma com esforço sempre converge ao darma sem esforço. Se não for assim, o darma deixa de ser darma.
Para entender isto, precisamos avaliar "necessidade" no caso acima. A necessidade vem do desvio com relação ao darma. Quanto mais desviado do darma, mais necessidades surgem. O darma é a única coisa, se é que ele é o que deve ser, que satisfaz plenamente. Por isto o darma tem um sentido para quem o busca, um sentido para quem o encontrou e outro sentido para quem o realizou.
Darma só diz respeito ao que existe se alguém o aceita. Isto é muito importante, porque toda a linguagem e objeto fenomênico passam a ser um remédio, ou néctar, estando neste escopo – e mesmo a discriminação objetiva é abraçada sem reservas, como mais um dos adornos ou aspectos disto.
O que quer que surja, seja uma idéia ou fenômeno qualquer (sensorial, emocional), de qualquer tipo, deve ser tratado como é, nem mais nem menos. Buda disse no Lankavatara, "As coisas não são o que parecem, e também não são nada mais do que isto". Portanto a causalidade – evitaria dizer "estrutura lógica" – deve ser reconhecida, ainda que a realidade abranja também o não-causal como um não-objeto, o que nos impede de chamar a realidade de real e a linguagem de dizer qualquer coisa, mas que ainda assim – ou por isto mesmo – nos confunde.
Assim, como um elogio a clareza, se há algo que pode nos guiar à verdade, isto é o darma. E este não é um argumento circular, porque também é uma das definições básicas da palavra. Descobrir o que é darma é tão darma quanto saber o que é darma, e pior, não saber o que é darma!
Esta verdade tem conotações éticas, como toda a verdade, e como sua base metafísica está além do realismo e do idealismo, as idéias de eu e outro, multiplicidade ou ausência são todas consideradas limitadas a apenas aspectos particulares daquilo que "são". Portanto, nenhuma delas é abandonada ou aceita, e da mesma forma, responsabilidade pessoal, institucional, humana, ecológica e transcendente, não são consideradas como separadas umas das outras.
Portanto, para os seres que se sintam inclinados a considerar estas coisas, isto é tão benéfico quanto para aqueles que não se sintam. E assim, ao chegar na outra margem, não faz sentido ficar no barco. O darma é, de certa forma, uma profecia auto-realizada.
O verbete sobre "profecia auto-realizada" no Dicionário de Filosofia nos remete ao verbete "Sexo". Puxa, só por colocar um verbete "Sexo" no dicionário de filosofia, Blackburn merece ser louvado. E o verbete é pura sabedoria bem humorada, comparando dois pensadores. Para Kant, sexo sempre rebaixa as pessoas porque usar um outro para obter prazer o "coisifica". Para Hobbes, porém, o prazer vem não só de "usar", mas, essencialmente, de dar prazer! Blackburn termina com a nota de que isto é uma "profecia auto-realizada", isto é, se você pensar como Kant, você vai se rebaixar através do sexo. Se você pensar como Hobbes, você vai ter uma vida sexual feliz.
O darma é exatamente assim. Se você tem um bom coração, você encontra o darma, seja você capaz de pensar tudo isto (e tudo mais) até o fim, ou não.
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Funniest mindless movie of the last few years. McLovin is the best, and the other guys grew on me.
In his job he needs to undervalue the suffering of others in order to make more money. Then there’s the smell, the ass and the eye. The degree of objectification of desire is in direct proportion to the self-debasement of the indulger. By degrading the other, he nullifies himself. The very indifference to the overjealous ones, the suppressed recalcitrant losers of the world, is what causes their victims to exist. Great disturbing movie.
A lost science fiction PBS movie with Taoist undertones is a real find, right? A guy discovers his dreams change reality—when he wakes up he finds himself in a world where the content of his dreams have actually happened. He of course gets scared after a couple of nightmares, seeks relief in drugs, and then, because of them, is lead to a psychiatrist. 
Here's for all the sissy Apple lovers out there... This is the ultimate design for my old Duron, which faithfully downloaded well over one terabyte (mostly movies, 1300+) always on 24/7/365 over the last four years. It also runs Apache and is a file and printer server, as well as a router for my home network (with four, also damn old and beautiful computers). Sometimes I dust it off with a vacuum cleaner.
I really enjoyed 
I have read the article on
In imdb a user commented: "Annoying little transition into some sort of regurgitated independent film values finds this shallow project from Brad Silberling offering little and providing less in this embarrassingly exploitive work." I agree, yet it is still watchable — even more so if you understand how clichê is the fabricated spontaneity in it. It is as if independent movie has aquired its own hollywood-like formulaicism. So it kind of becomes an interestingly consumated aesthetic portrail of so many cult-status fabricated stylishness examples we see around. Many people liked 





