
2005.12.17 • 07:02 • 1 com
Quais são as distorções mais comuns quando um brasileiro busca praticar o darma?
• achar que o objetivo da meditação seja esvaziar a mente e não pensar em nada1;
• acreditar que os ensinamentos sejam explicações sobre a realidade e não um método de ir do sofrimento para a liberdade;
• dar muita importância ao contexto histórico (muitas vezes ao mesmo tempo em que paradoxalmente se dá pouca importância ao aspecto formal), tratar o o darma como um evento social e cultural apenas;
• acreditar que é o suficiente ler sobre budismo e tentar praticar sozinho (não levar a sério o refúgio na sanga);
• acreditar que não há problema em estudar o darma aleatoriamente, ou de acordo meramente com desígneos e inclinações pessoais;
• achar que o professor é dispensável;
• acreditar que renúncia significa cortar a relação com as pessoas ou ser indiferente para com elas;
• achar que compaixão leva a uma espécie de passividade para com quem nos prejudica (uma pessoa compassiva seria sempre "passada para trás", ou feita de boba);
• achar que todo monge é um professor do dharma, que todo lama é monge, e coisas desse tipo (confundir títulos hierárquicos dentro de uma organização, ordenação tomada através de votos perante a sangha e ordenação pela linhagem através da realização);
• achar que se pode "escolher" qual linhagem se segue, ou mesmo que prática se faz ou que ensinamento se aceita - sem entender que este são processos de relacimento com a sangha, e não decisões unilaterais, mesmo porque dependem muito de conexões e possibilidades cármicas que podemos possuir ou não;
• confundir não-existência com não-existência inerente, por exemplo, quande se fala "o eu não existe", e se acha que ele não existe convencionalmente;
• achar que iluminação é uma espécie de êxtase;
• achar que "samsara" é um mundo inerentemente existente ("este mundo", ou ainda, o trabalho, os filhos, a festa—e nunca o centro de dharma ou uma montanha isolada, por exemplo), e não uma experiência;
• achar os reinos são meras metáforas, reificando o reino humano como inerentemente existente—ou, no extremo oposto, acreditar na existência inerente de todos os reinos;
• achar que o budismo promove algum tipo de liberalidade ou relativismo, ou se engajar numa forma moralista de budismo, onde a ética por obediência a regras está acima da ética por sabedoria;
• acreditar que os diversos níveis de ensinamentos são incompatíveis, ou achar que não há níveis de ensinamentos. Confundir os níveis de ensinamentos e usar subterfúgios da interpretação com base no entendimento absoluto para desconsiderar problemas relativos ("se perder na visão");
• em algumas formas de budismo tratar as práticas e ensinamentos como uma "escolinha", na qual se procura atingir o mais rápido possível a "pós-graduação";
• achar que o renascimento evita o medo da morte;
• achar que renascer necessariamente é uma boa coisa;
• achar que carma é linear, que carma é destino (alguém prejudicando outro ser estaria "ajudando aquele ser a experimentar seu carma"), que existem "senhores do carma", confundir carma com culpa;
• achar que o tempo de prática ou de estudo que um determinado praticante tenha necessariamente implique que ele seja um bom praticante;
• achar que os títulos, roupas ou posto, que um praticante possui necessariamente impliquem que ele seja um bom praticante;
• buscar o dharma como quem se filia a um clube (apenas uma atividade social a mais), ou buscar o budismo para ganhar um título, ou roupas, ou posto;
• esperar uma cobrança para efetuar oferendas em dinheiro ou trabalho (e pior, a cobrança é feita, numa dupla distorção que passa a ser circular);
• esperar que o dharma venha até você—não achar necessário viajar, mesmo dentro do próprio Brasil, para ir atrás de ensinamentos—e esperar que uma "filial" seja instalada em sua cidade, por iniciativa da "central" (e pior, mesmo sem uma sanga existir, numa dupla distorção, a "central" produzir um templo e ficar esperando uma sanga se formar—sendo que a sanga que faz o templo, não vice-versa);
• tratar o professor como amigo, terapeuta ou pai (embora o professor possa usar essa conexão para nos tocar de alguma forma, devemos paulatinamente entender o papel do professor e nos posicionarmos de acordo, e não descansar nessas atitudes);
• esperar que os budistas sejam santos e realizados e (naturalmente) decepcionar-se ao encontrar com eles;
• esperar que as pessoas na sanga sejam agradáveis (ou pior, achar que você pode ser desagradável porque todos ali deveriam ser bons praticantes de paciência);
• usar o templo/sala como clube para encontrar amigos (ou mesmo namorado(a)s));
• tomar os retiros como apenas ou necessariamente um momento de descansar da vida atribulada (muitas vezes eles são mais intensos e cansativos do que nossa vida cotidiana);
• procurar o budismo para vencer o estresse ou ficar mais saudável—tratar o budismo como uma mera forma de terapia (embora possa ser uma porta de entrada, é preciso amadurecer esta pseudo-conexão e transformá-la numa conexão de fato);
• procurar no budismo explicações sobre o "sentido da vida" ou a "natureza da realidade" (em geral, se essa for a atitude, apenas surgirão mais dúvidas—a atitude com relação ao darma é reconhecer a doença verdadeira, o sofrimento da experiência cíclica, e buscar o dharma como remédio, não como explicação);
• decepcionar-se por não ser proselitizado;
• achar que o objetivo da meditação seja esvaziar a mente e não pensar em nada1;
• acreditar que os ensinamentos sejam explicações sobre a realidade e não um método de ir do sofrimento para a liberdade;
• dar muita importância ao contexto histórico (muitas vezes ao mesmo tempo em que paradoxalmente se dá pouca importância ao aspecto formal), tratar o o darma como um evento social e cultural apenas;
• acreditar que é o suficiente ler sobre budismo e tentar praticar sozinho (não levar a sério o refúgio na sanga);
• acreditar que não há problema em estudar o darma aleatoriamente, ou de acordo meramente com desígneos e inclinações pessoais;
• achar que o professor é dispensável;
• acreditar que renúncia significa cortar a relação com as pessoas ou ser indiferente para com elas;
• achar que compaixão leva a uma espécie de passividade para com quem nos prejudica (uma pessoa compassiva seria sempre "passada para trás", ou feita de boba);
• achar que todo monge é um professor do dharma, que todo lama é monge, e coisas desse tipo (confundir títulos hierárquicos dentro de uma organização, ordenação tomada através de votos perante a sangha e ordenação pela linhagem através da realização);
• achar que se pode "escolher" qual linhagem se segue, ou mesmo que prática se faz ou que ensinamento se aceita - sem entender que este são processos de relacimento com a sangha, e não decisões unilaterais, mesmo porque dependem muito de conexões e possibilidades cármicas que podemos possuir ou não;
• confundir não-existência com não-existência inerente, por exemplo, quande se fala "o eu não existe", e se acha que ele não existe convencionalmente;
• achar que iluminação é uma espécie de êxtase;
• achar que "samsara" é um mundo inerentemente existente ("este mundo", ou ainda, o trabalho, os filhos, a festa—e nunca o centro de dharma ou uma montanha isolada, por exemplo), e não uma experiência;
• achar os reinos são meras metáforas, reificando o reino humano como inerentemente existente—ou, no extremo oposto, acreditar na existência inerente de todos os reinos;
• achar que o budismo promove algum tipo de liberalidade ou relativismo, ou se engajar numa forma moralista de budismo, onde a ética por obediência a regras está acima da ética por sabedoria;
• acreditar que os diversos níveis de ensinamentos são incompatíveis, ou achar que não há níveis de ensinamentos. Confundir os níveis de ensinamentos e usar subterfúgios da interpretação com base no entendimento absoluto para desconsiderar problemas relativos ("se perder na visão");
• em algumas formas de budismo tratar as práticas e ensinamentos como uma "escolinha", na qual se procura atingir o mais rápido possível a "pós-graduação";
• achar que o renascimento evita o medo da morte;
• achar que renascer necessariamente é uma boa coisa;
• achar que carma é linear, que carma é destino (alguém prejudicando outro ser estaria "ajudando aquele ser a experimentar seu carma"), que existem "senhores do carma", confundir carma com culpa;
• achar que o tempo de prática ou de estudo que um determinado praticante tenha necessariamente implique que ele seja um bom praticante;
• achar que os títulos, roupas ou posto, que um praticante possui necessariamente impliquem que ele seja um bom praticante;
• buscar o dharma como quem se filia a um clube (apenas uma atividade social a mais), ou buscar o budismo para ganhar um título, ou roupas, ou posto;
• esperar uma cobrança para efetuar oferendas em dinheiro ou trabalho (e pior, a cobrança é feita, numa dupla distorção que passa a ser circular);
• esperar que o dharma venha até você—não achar necessário viajar, mesmo dentro do próprio Brasil, para ir atrás de ensinamentos—e esperar que uma "filial" seja instalada em sua cidade, por iniciativa da "central" (e pior, mesmo sem uma sanga existir, numa dupla distorção, a "central" produzir um templo e ficar esperando uma sanga se formar—sendo que a sanga que faz o templo, não vice-versa);
• tratar o professor como amigo, terapeuta ou pai (embora o professor possa usar essa conexão para nos tocar de alguma forma, devemos paulatinamente entender o papel do professor e nos posicionarmos de acordo, e não descansar nessas atitudes);
• esperar que os budistas sejam santos e realizados e (naturalmente) decepcionar-se ao encontrar com eles;
• esperar que as pessoas na sanga sejam agradáveis (ou pior, achar que você pode ser desagradável porque todos ali deveriam ser bons praticantes de paciência);
• usar o templo/sala como clube para encontrar amigos (ou mesmo namorado(a)s));
• tomar os retiros como apenas ou necessariamente um momento de descansar da vida atribulada (muitas vezes eles são mais intensos e cansativos do que nossa vida cotidiana);
• procurar o budismo para vencer o estresse ou ficar mais saudável—tratar o budismo como uma mera forma de terapia (embora possa ser uma porta de entrada, é preciso amadurecer esta pseudo-conexão e transformá-la numa conexão de fato);
• procurar no budismo explicações sobre o "sentido da vida" ou a "natureza da realidade" (em geral, se essa for a atitude, apenas surgirão mais dúvidas—a atitude com relação ao darma é reconhecer a doença verdadeira, o sofrimento da experiência cíclica, e buscar o dharma como remédio, não como explicação);
• decepcionar-se por não ser proselitizado;
1. ^ Acho surpreendente que esse seja um dos pontos mais discutidos quando a mensagem é repostada em fóruns. Mestre Dogen claramente disse "meditar é pensar além de pensar e não pensar", e no budismo tibetano, um treinamento na ausência de conteúdos mentais é causa de renascimentos pouco-auspiciosos, como animal, por exemplo. A não-conceptualidade da meditação não é um não-pensar ou um "branco mental".
06.01.15 • 20:49
Continua?

Funniest mindless movie of the last few years. McLovin is the best, and the other guys grew on me.
In his job he needs to undervalue the suffering of others in order to make more money. Then there’s the smell, the ass and the eye. The degree of objectification of desire is in direct proportion to the self-debasement of the indulger. By degrading the other, he nullifies himself. The very indifference to the overjealous ones, the suppressed recalcitrant losers of the world, is what causes their victims to exist. Great disturbing movie.
A lost science fiction PBS movie with Taoist undertones is a real find, right? A guy discovers his dreams change reality—when he wakes up he finds himself in a world where the content of his dreams have actually happened. He of course gets scared after a couple of nightmares, seeks relief in drugs, and then, because of them, is lead to a psychiatrist. 
Here's for all the sissy Apple lovers out there... This is the ultimate design for my old Duron, which faithfully downloaded well over one terabyte (mostly movies, 1300+) always on 24/7/365 over the last four years. It also runs Apache and is a file and printer server, as well as a router for my home network (with four, also damn old and beautiful computers). Sometimes I dust it off with a vacuum cleaner.
I really enjoyed 
I have read the article on
In imdb a user commented: "Annoying little transition into some sort of regurgitated independent film values finds this shallow project from Brad Silberling offering little and providing less in this embarrassingly exploitive work." I agree, yet it is still watchable — even more so if you understand how clichê is the fabricated spontaneity in it. It is as if independent movie has aquired its own hollywood-like formulaicism. So it kind of becomes an interestingly consumated aesthetic portrail of so many cult-status fabricated stylishness examples we see around. Many people liked 





