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Uma resposta "atirando para todos os lados" para quais os sentidos de espiritualismo e religiosidade no budismo? Como é observada a chamada "fé cristã"? clique para ler o texto completo
Conversations with Kafka
Janouch foi um guri que, através de seu pai, fez amizade com Kafka. Ambos discutiam de tudo, e muito da personalidade de Kafka surge encantadora (ainda que por vezes demasiado afetada) através das descrições do rapazola.

“Da vida, pode-se tirar muito facilmente uma série de livros; mas dos livros tira-se pouca, bem pouca vida.

...

Incômodo é um sinal certo de fraqueza, uma fuga diante do imprevisto. Instalamo-nos numa vida dita “particular”, por não termos as forças necessárias para enfrentar o mundo. Fugimos ao milagre e refugiamo-nos numa atitude de auto-limitação. É uma retirada. Pois enfim a existência é antes de tudo estar-com-as-coisas, é um diálogo. Não temos o direito de nos furtar a isso. Você pode vir me ver sempre que quiser.

...

Você está certo. Só vivem as coisas que carregamos em nós. Todo o mais é vaidade, não passa de literatura, de que nada justifica a existência.”Kafka

Algumas de suas afirmações sobre vaidade e literatura, e o porque de escrever, mostram o quanto de traição e o quanto de fraqueza (de Kafka) respectivamente se passaram na publicação por Max Brod — e o fato desses livros chegarem a nós através de uma “manobra esquisita” é elemento característico e fundamental de parte dessa produção ainda tão contemporânea.
Qual o significado da palavra "emanação" no contexto do Budismo Tibetano? O que se quer dizer com isto? clique para ler o texto completo
O que faria Larry David?Na biblioteca. Peguei "O Conceito de Ironia Constantemente Referido a Sócrates", de Kierkegaard. Não tinha meu cartão em mãos. Para a bibliotecária:

— É possível retirar sem o cartão?

— Não.

Me dirigi de volta para a prateleira. Ela me parou.

— Deixe que nós recolocamos o livro.

Sim, é política da biblioteca, porém eu imaginava encontrar alguém com cartão que retirasse em seu nome, e para isso precisava do livro acessível imediatamente, e não em alguma espécie de limbo de balcão.

— Mas eu sei onde ele fica...

— É política da biblioteca.

— Quanto tempo leva para o livro retornar para a estante?

Fez uma cara bizarra. Nem deixei ela terminar, fui lá pôr o livro. Era o último da prateleira, mesmo que eu não fosse capaz de seguir a numeração... a não ser que eu quisesse indulgir em terrorismo poético ou estratégias de ocultação de livros perante competidores — não era o caso, mas dá para entender a política da biblioteca. Mas o que faria Larry David?
Ontem um jovem me interpelou no fim da aula de alemão.

— Legal o visual, com esse chapéu.

— Hoje me chamaram de agricultor...

— É, mas a gente tem que ser diferente.

— Isso é o que todo mundo pensa.
wheel of the dharma and deer Quais seriam as diferenças entre o Mahayana e o Vajrayana? clique para ler o texto completo
nó-sem-fim, símbolo da dedicação de méritosPensar se o que estou fazendo é meritório ou não parece estimular meu senso de "valor pessoal", e isto, eu sei, não existe. Parece que dedicar os méritos me deixa muito consciente de "eu fiz", o que leva a "eu sou" — o que não parece bom. Como fazer para dissociar a ação do agente? clique para ler o texto completo
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O budadarma está flertando com a cultura ocidental há algum tempo. A cada uma das ocorrências de alguma mutualidade, certas distorções são formadas, e algum dos lados eventualmente se enriquece com algo. Primeiro foram os gregos a povoar a Báctria e Gandara e se converter ao budismo, o que inaugurou a arte budista com influências helenistas. Depois ficamos um longo período com o oriente misterioso das viagens de Marco Polo. Enfim o iluminismo leva à tradução dos primeiros textos budistas e às primeiras excursões com olhar mais erudito (e que fizeram com que vocábulos ocidentais tais como "iluminação" fossem incrustrados no budismo). Isso culmina com Schopenhauer diluindo e se apropriando de um dharma ainda extremamente estreito (certos textos apenas) e tendenciosamente traduzido, e eventualmente descamba para o nascimento das seitas nova era com a teosofia—que tentou misturar todas as tradições orientais e ocidentais numa doutrina que carregou palavras tais como "dharma" de sentidos completamente novos (e suspeitos) e hoje é a grande mãe do universalismo de uma "religiosidade sem religião" que empobrece profundamente o discurso espiritual por todos os lados.

Do primeiro ocidental ordenado monge budista, no início do século, até os primeiros professores asiáticos aprenderem línguas ocidentais, na década de 30, e eventualmente virem viver por aqui deste lado, nos 60, até os 70, quando os primeiros textos clássicos finalmente ganham traduções razoáveis, e enfim os 90, quando começam a aparecer estudos acadêmicos mais equilibrados, sem tanto ranço seja de menosprezo, seja de fascínio afetado, temos como ponto chave da entrada do budismo no ocidente as primeiras pessoas que pensaram eventualmente em viver o dharma de uma forma original, e não meramente estudar ou incluí-lo em alguma filosofia: o movimento beat—por mais defeitos que esse "dharma" alucinado e marginal possa ter.

Entre os precursores diretos dos beats, nos 40 e 50, temos então Somerset Maugham e Hermann Hesse—o filme em questão é embasado em Maugham, mas altera o caminho do protagonista do hinduísmo para o budismo tibetano. De fato, não há também nada essencialmente budista nessa versão de 1984 do filme—senão os trajes tibetanos. O único ensinamento que vemos o lama dar é "o caminho é difícil e estreito, como caminhar sobre o fio de uma navalha", que é do original de Maugham, e, parece, vem dos Upanishads, e não de escritura budista. Mas o dharma, creio, não vê problema com essa caracterização, pelo menos certo dharma, e no contexto do filme, não é incorreto.

Bill Murray estrela nesse filme perdido dos oitenta, que ele conseguiu filmar em troca de protagonizar Os Caça-Fantasmas. A história de Maugham, e nisso o filme a segue de forma fiel, é essencialmente uma Bildugsroman—segue o ideal romântico a risca, com a idéia de crescimento interior através das experiências da vida.

Se, por um lado, o aspecto do vlae de lágrimas é bem colocado, com as diversas contingências sofridas pelos personagens, e assim nos engaja emocionalmente, por outro lado, parece surgir algo do fascínio afetado, como por exemplo quando ocorre o clichê do ocidental que aprende truques no oriente—no caso a hipnose. Porém isso é pouco enfatizado, e é até colocado de uma forma compassiva. O mais surpreendente é o ideal do bodisatva bem corporificado pelo personagem de Murray. Esse filme é a pedida para quem quer orientalismo romântico, sem espalhafato. Se por um lado não há nada incoerente com o dharma, e de fato, como artê romántico em geral, é um filme bastante positivo—se a pessoa tem tolerância quanto ao romantismo (ele beira o melodramático, mas não chega ao sentimentalismo)—, por outro lado ele não tem muito dharma (ou mesmo outro "orientalismo") senão o fato de que o sujeito vai para a Ásia em busca do sentido da vida e retorna, de fato, transformado. Porém, com o passar dos anos minha admiração por Murray como ator tem crescido, e esse filme, que foi difícil de encontrar para baixar, foi uma boa surpresa nesse sentido.
Parece que confirmaram o que antes era uma hipótese controversa, a da que a linguagem, e talvez a mera fonética, afeta nossa visão da realidade.

No estudo desenharam dois tipos de alienígena. Foi pedido a um grupo de pessoas para que dissessem qual era o bonzinho e qual era o mal. A diferença entre eles não era grande. Foi feita uma estatística representando quantos achavam o alienígena A bonzinho.

Após isso, deram a outro grupo dois nomes de espécies alienígenas, os lubishes e os grecous. Foi feita uma estatística representando qual era mais considerado bonzinho.

Os pesquisadores então associaram o nome estatisticamente considerado mais bonzinho à figura do alienígena estatisticamente considerado mais benévolo, e apresentaram o conjunto, nome e desenho, a um terceiro grupo de pessoas. Houve um aumento significativo da porcentagem de identificação do alienígena A como sendo o do bem.

...

Agora pense num som ancestralmente associado a estados meditativos e compaixão: esse som, mesmo sem o significado estabelecido, tende a produzir ou conduzir aos mesmos "cacoetes" cognitivos.

Algumas pessoas querem estar recitando uma proposição enquanto recitam um mantra, e até há aqueles que não o recitariam sem "entendê-lo". Porém me parece claro que os sons do mantra são correspondentes a estruturas psicofisiológicas, além ou até bem mais do que serem fórmulas concisas de ensinamentos (essa sílaba representa A, recitando ela, me lembro mais de A, e A fica mais fácil de realizar).

Vajrayana: tecnologia psicofisiológica & mente de publicitário aplicada ao dharma.
Alguns temas de debate internos ao budismo são recorrentes, muitas vezes ocorrendo por mera inexistência de uma nomenclatura livre de equivocidades, visto que os signos são os mesmos ainda que os sentidos variem de contexto para contexto—e isto ocorre não só entre linhagens diversas, mas mesmo entre diferentes conjuntos de ensinamentos numa mesma linhagem. Além disso, a variedade de traduções e o caráter difícil destas traduções para línguas ocidentais—devido às dramáticas diferenças culturais—cria um jargão específico, e muitas vezes debatedores habituados com os usos muito peculiares destas palavras traduzidas no contexto do budismo não conhecem a história ou sentido comum destes termos dentro da cultura ocidental. clique para ler o texto completo
Um dos enganos mais comuns com relação ao budismo é seu aspecto transcendente. Isso não é estranho, na medida em que o discurso não é capaz de adequadamente tocar neste assunto, por definição. Porém, é possível sim descrever por via negativa o que está fora do escopo da verdadeira prática da linguagem correta, tanto em termos do apontar direto de pontos essenciais, bem como do que seja meditação equivocada. clique para ler o texto completo


Um dia enviei o link para o artigo da wiki sobre greco-buddhism para o Lama Samten porque achei interessantinho na hora. Nem tinha lido, para dizer a verdade. Não esperava que ele me pedisse para dar uma palestra no Caminho do Meio sobre o tema. Bem, preparei a apresentação powerpoint acima e dei a palestra em janeiro. Depois considerei escrever um texto endereçando todos os problemas que encontrei com o artigo da wiki. Tergiversei um bocado quanto ao tema—não gosto muito de tratar o dharma como um aspecto histórico ou cultural, mas acabei fazendo isto. Aqui está o texto. clique para ler o texto completo
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Esta é uma lista de professores e locais confiáveis para a conexão com o dharma.

Chagdud Gonpa, Impecável linhagem de detentores dos mais elevados ensinamentos do vajrayana.

Chagdud Rinpoche, sua compaixão, coragem e força nunca deixarão de nos impressionar.

Siddharta's Intent, organização ligada ao anticonformista professor do dharma Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche.

Odsal Ling, Odsal Ling, centro de Lama Tsering, professora do dharma intensa e bondosa.

Caminho do Meio, ONG e comunidade budista fundada por Lama Padma Samten, grande meditador, físico e professor popular de dharma.

Alan Wallace, erudito e professor de meditação de grande bondade.

Tokuda Igarashi, grande mestre Zen, sua humildade e erudição são incomparáveis.

Dharma Centre, Dirigido por Ji Do Poep Sa Nin, bondosa e enigmática professora de koan sul-africana.

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